Raquel Garbelotti






ADAPTAÇÃO
2021
Peças modulares em concreto e plantas
adaptáveis ao clima de Curitiba/ PR.

O trabalho ‘Adaptação’ parte de uma pesquisa e viajem realizada pela artista a Pancas no ES em 2021.

Este foi o local em que Burle Marx realizou coletas de espécies para suas pesquisas sobre adaptação de plantas ruderais para as lajes da Arquitetura Moderna de Oscar Niemeyer.

Em ‘Adaptação’, utilizei espécies adaptáveis ao clima de Curitiba /PR, como coníferas. As peças em concreto remetem a maquetes de espaços Modernistas Brutalistas e ao mesmo tempo a um laboratório de estudo e adaptação de espécies. Este projeto adaptação pode ser apresentado em qualquer edifício, porém as espécies escolhidas são sempre as mais adaptáveis a luz e condições do edifício que são apresentadas.

Exposição coletiva: Museu Oscar Niemeyer – MON
Curadoria: Galciane Neves
Äntes, agora, longe e aqui dentro





ADAPTAÇÃO
2022
Concreto e plantas tropicais


O trabalho ‘Adaptação’ parte de uma pesquisa e viajem realizada pela artista a Pancas no ES em 2021. Este foi o local em que Burle Marx realizou coletas de espécies para suas pesquisas sobre adaptação de plantas ruderais para as lajes da Arquitetura Moderna Brutalista.

Em ‘Adaptação’, espécies tropicais de sub-bosque são adaptadas as peças em concreto que remetem a maquetes de espaços Modernistas Brutalistas e ao mesmo tempo a um laboratório de estudo e adaptação de espécies. Este projeto adaptação pode ser apresentado em qualquer edifício , porém as espécies escolhidas são sempre as mais adaptáveis a luz e condições do edifício que são apresentadas. No caso da Galeria Leme/SP, levamos em consideração a planta modernista de Paulo Mendes da Rocha

e a luz zenital ao centro da sala. As espécies adaptáveis aquela edificação, foram as escolhidas pela paisagista do projeto.

Exposição coletiva: ‘Entre a Estrela e a Serpente’ Curadoria: Galciane Neves Galeria Leme/ SP/ Arquiteto: Paulo Mendes da Rocha e Metro Associados Arquitetura e Projeto Adaptação: Murillo Paoli Arquitetura: Karlos Rupf

Paisagismo: Lilian Dazzi








TSUNAMI
São eventos naturais causados por abalos sísmicos próximos a regiões costeiras e litorâneas e, quando ocorrem, geram destruições devido à sua magnitude. As imagens foram realizadas a partir de documentos de tsunamis reais (vídeos, internet e fotografias), gravados por sobreviventes das catástrofes. Este projeto foi realizado em um programa para desenvolvimento de protótipos de arquitetura. A ideia de reconstrução desses eventos por meio dessas imagens refere-se a uma espécie de testemunho das mesmas. As cenas construídas pelas posições das câmeras no filme e nas imagens navegam em um ambiente inundado, sem saída ou socorro próximos. Apesar de ser um ambiente virtual, o som e o movimento das águas transmitem sensações reais, lembranças reais que nos afetam. O tsunami, aqui, pode ser pensado metaforicamente como algo inconsciente, da ordem do imponderável porvir.




MISE-EN-SCÉNE / MAQUETE

Projeto Contracondutas da Escola da Cidade, São Paulo
Coleção MAC/USP
www.ct-escoladacidade.org


No projeto para o Contracondutas, realizei um filme que refletiu, no
campo do simbólico, questões relativas ao problema apresentado
para a pesquisa: trabalho escravo ou análogo, pelo estudo THYN de
caso do ocorrido no Terminal de Guarulhos/SP.











No projeto para o Contracondutas, realizei um filme que refletiu, no campo do simbólico, questões relativas ao problema apresentado para a pesquisa: trabalho escravo ou análogo, pelo estudo de caso do ocorrido no Terminal de Guarulhos/SP.

Simulacro e filme: Mise-en-scène

A palavra mise-en-scène significa: jogo de cena; jogo para a plateia; representar falsamente uma situação. É uma palavra utilizada no cinema para tratar daquilo que se apresenta na cena do filme. O termo me pareceu pertinente tanto para as questões de representação dadas pela maquete quanto para a ideia de algo relativo à condução dos trabalhadores, a situação de trabalho análogo ao de escravo.

Mise-en-scène pode referir-se ao trato enganador da empresa contratante, às falsas promessas de trabalho sério e justo na cidade grande e à falta de compromisso e vínculo humano com esses trabalhadores, tratados como estoque de mão de obra, objetificados.

O Filme

Realizei maquetes físicas dos espaços de moradia ou alojamentos dos trabalhadores resgatados no caso do Terminal de Guarulhos. Este projeto previu a ida aos locais de alojamento/moradia dos trabalhadores, a fim de realizar um contato com esses lugares.

Os alojamentos situavam-se nas comunidades do município de Guarulhos, a um quilômetro das obras do Terminal:

Casa da Rua Airton Ferreira Mendes, 86
Casa na Rua Maria Espínola, 1
Casa na Rua José de Melo, 176 – Fundos
Casa da Rua São Sebastião D Oeste, 109 – Fundos Casa da Rua Mercial Lourenço, 631

Produzidas as maquetes dos espaços, trabalhei
com a Produtora Pique Bandeira na filmagem da
luz correspondente às 24 horas do dia, em várias tomadas dos espaços. A luz, aqui, refere-se à abertura e à instauração da dimensão externa à arquitetura de confinamento desses alojamentos.
A luz também pode ser pensada como elemento questionador das ordens ou hierarquias espaciais e de controle. O elemento da luz, bastante tratado nas obras do artista Gordon Matta-Clark nos anos 1970, advinha
do espaço externo das habitações cortadas e era o significante de liberdade e possibilidade de ruptura dos limites que confinam o corpo a um determinado espaço, o da propriedade.

O artista trabalhou no universo da desconstrução de normas, bem como na produção de espaços alternativos para a cidade. Essa problemática espacial incitada pela luz pode ser transposta também para o conceito explorado por este projeto, proposto pela Escola da Cidade, Contracondutas (Foucault).

Gravamos os filmes com o auxílio de um planetarista, simulando a passagem da luz durante as 24 horas do dia.

Eixo conceitual do projeto

Para pensar este projeto, me ative sobretudo ao ponto 23 do artigo V do processo do Ministério Público do Trabalho e Emprego, aquele que relata a relação dos autos de infração lavrados, cometidos contra os trabalhadores que estavam em condição análoga à de escravos:

23 201786974 1242210 Manter alojamentos com nível de iluminação inferior a 100 lux (Art. 157, inciso I, da CLT, c/c item 24.5.28, alínea “a”, da NR 24, com redação na Portaria no 3.214/1978).

Por se tratar da luz como um pressuposto tão elementar nas condições de moradia, me interessei por explorá-
la como metáfora da mínima condição de subsistência humana. Procurei, portanto, trabalhar por subtração: a luz seria o mais elementar na adequação às boas condições de moradia. Este elemento se enquadrava nos autos de infração cometidos contra os trabalhadores e, por isso, pensei ser um elemento que resumiria o drama vivido na narrativa interna dessa história.

A luz, no cinema, também produz os conteúdos de dramaticidade da cena e pode ser um elemento de extrema importância na construção de uma imagem ou narrativa.

Imagens dos alojamentos.








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